terça-feira, 16 de junho de 2020

Instante

Uma folha caiu.
Era amarela e laranja você disse.
Igual ao outono.
E vermelho e rosa como o pôr do sol...
...seu sorriso.
E um céu colorido de final de tarde...
...foi o fundo para meu abraço.
Eu sei, você não esperava.
Mas alguns sentimentos são assim.
E mesmo que eu segure sua mão.
Fique.
Eu só preciso de mais um minuto.
Você espera o sol ir?
E como dizer o quanto gosto de ti?
Será que o sol espera só mais um pouco?
Eu acho que não vou largar a sua mão.
E mesmo que nenhuma folha caia outra vez.
Para eu ver de novo seu sorriso olhando pra mim.
Vou me apegar a esse instante.
E como o último fio de cor rosado do dia...
Um beijo apenas.
E nada mais importa que venha adiante.




Ainda espero...

Eu odeio a forma como você fica em silêncio.
E muito mais por não imaginar uma resposta.
Muitas vezes eu não sei se consigo.
Nem se sou capaz de mudar.
E tudo começa ficar cinza.
Igual um dia nublado.
Fico ansiando por um porquê.
Olhando para o céu que já começa se fechar.
Será que vai chover outra vez?
Eu fiz a última pergunta, eu sei.
Em mais uma tentativa de viver você.
Ou de tentar entender.
Já nem sei se foi ontem...
Ou foi antes.
Mas hoje eu ainda não sei bem o que.
Ainda espero seus porquês.



Quase 22

Eu lembrei de você ontem...
Aquele camiseta e suéter tão caricato.
O sorriso contido...
Encontrei aquela fita cassete que você tanto gostava.
Me senti nostálgica.
Quantos mesmo, 23?
Eu 21...quase 22.
Parecia que íamos vencer o mundo.
Acho que por um tempo vencemos.
Mas você disse que nada é pra sempre.
Hoje eu sei que estava certo.
Pra sempre é muito tempo...
Tão distante.
Mas lembra? Cada memória fica...
Cada foto continua guardada...
E eu estou escutando aquela música.
E nela e com ela sou pra sempre tua.


quinta-feira, 28 de maio de 2020

Por vir

De todas as coisas que eu fiz.
Ou da vezes que menti.
Havia no coração uma prece.
Algo em preto e branco.
Como um pedaço daquele livro que li.
Dos versos que ouvi também de ti.
Parte do todo que achava já ter encontrado.
Mas outrora marcado, foi de nós perdido.
Mas não é tão simples assim.
Das coisas que não fiz.
E das coisas fizestes...
Ficou um "se" que parece ainda por vir.
E no porvir...
Nesse amanhã que nunca chega...
Acordar com o gosto na minha boca.
Do seu beijo.
Uma nova lembrança.
Minha memória sendo agora refeita.
Como uma manhã, tarde e noite tão perfeita.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Do acaso

Jamais busquei achar.
Palavras soltas e perdidas no ar.
Mas encontrei mensagens escondidas.
Memórias contidas de algum lugar.
Não sei ao certo onde,
tampouco sei de quando.
Apenas assim no espaço e na memória,
alguém registrou como história.
Ou seriam falsas lembranças?
Passagens criadas para iludir.
De estórias inventadas.
Imagens de um outrora que já foi pintado,
mas agora apagado.
Deixou na minha mente registrado.
Por essa caminhada que fiz,
pela nova estrada do acaso.